QUANDO OS FILHOS VOLTAM PRA CASA

Lucas 1:17

No começo do ano de 2020, recebemos uma Palavra de encorajamento do nosso presbitério sobre o ano que viria, uma palavra que nos faria voltar ao início de todas as coisas e renovar o nosso secreto com Deus, a Palavra foi: “2020: O ano de voltar para casa”. Entendemos o chamado do Senhor para voltar ao primeiro amor, ao aconchego da comunhão no nosso lar, para reconduzir o coração dos pais aos filhos e dos rebeldes à prudência dos justos (Lucas 1:17). Até que então, de um momento ao outro, o mundo se encontrou em uma pandemia, essa palavra que era conhecida por mim apenas através dos livros de história contando sobre o passado, se tornaria uma realidade presente. Estávamos com grande expectativa para vivermos esse momento, mas certamente não imaginávamos que Deus usaria um acontecimento global para trazer a Igreja dele à literalidade do “voltar para casa”.

Em meio a uma multidão de sentimentos e incertezas, Deus aos poucos nos traria novamente para casa: primeiro o retorno a casa física, depois à casa em um sentido espiritual de voltar ao secreto. O retorno à casa física, foi o grande acontecimento mundial, empresas fecharam as portas para atendimentos presenciais – algumas até decretaram falência -, alunos deixaram a escola para estudarem on-line e muitas coisas mais. O cenário de caos e incertezas, tomava conta dos noticiários, a rua estava em silencio, os corações aflitos dentro de suas casas e um sussurro no mais íntimo de todos os corações implorava por respostas. Não sabíamos o que fazer, porém nossos olhos estavam fixos no Senhor (ll Crônicas 20:3), embora a angústia quis agitar nosso interior, precisávamos entender o que o Senhor estava querendo nos dizer, o mundo buscava respostas, nós íamos até Deus em busca de descanso.

Na parábola do Semeador, Jesus disse que existia ainda uma semente que caiu em meio aos espinhos e vindo a ansiedade e as preocupações da vida, sufocaram a semente e fizeram com que ela morresse. Era uma forma do Senhor alertar o povo, e hoje a Igreja, de que muitos acontecimentos vindouros, sufocariam a esperança em nossos corações e tentariam nos matar de medo e pavor, arrancando a semente antes mesmo que germinasse na terra. Não sabemos se a terra em que aquela semente caiu era boa, sabemos apenas que os espinhos sufocaram, isso muitas vezes pode ser o engano que muitos de nós caímos, a terra do nosso coração pode estar boa para receber a palavra mas se dermos lugar ao medo a semente será sufocada.

Aprender a descansar em meio ao caos dessa pandemia foi um divisor de águas na minha vida, pela primeira vez eu estava sem perspectiva nenhuma de futuro. Manter o controle, repetir “Vai dar tudo certo”, respirar fundo, ​sair de perto das redes sociais, silenciar os noticiários funcionou durante uns dez dias, depois perdi o controle e fiquei sem chão. Sempre que algo acontece de repente e me vejo perdida, lembro-me do Salmo 42:11 em que Davi diz: “Por que está abatida, Óh minh ‘alma? Porque se perturba dentro de mim? ”, e peço para que o Espírito Santo vasculhe dentro de mim aquilo que está me angustiando.

Dessa vez não era necessário ir além, eu estava aflita pelo que meus olhos estavam vendo, pela situação que o mundo se encontrara e por não saber o que seria do meu futuro. Enquanto me enchia de medo, minha fé se enfraquecia, minha esperança era sufocada e as notícias de morte tornavam meu coração incrédulo quanto ao que Deus poderia transformar aquela situação. Então, instantementefiz o que deveria ter feito desde o início: entrar no meu quarto, conversar com meu Deus no Secreto e VOLTAR PARA CASA. Voltar para casa, a palavra que recebi de coração aberto, mesmo sem entender o porquê, agora faria sentido naquele momento em que de joelhos eu corria até o trono da Graça (Hebreus 4:16). Decidi crer na soberania de Deus e me esconder atrás das promessas ditas a meu respeito e a respeito da minha família:

Ele está (Salmos 40:1), Ele cuida (Salmos 37:18), Ele é soberano sobre tudo e todos (1 Timóteo 6:15-16), Ele não nos abandonará jamais (Deuteronômio 31:8).

Não sei em que ano você está lendo esse texto, mas essas palavras são do ano de 2021 – 1 ano depois do início da pandemia -, mais especificamente em Agosto, e a pandemia ainda não terminou. Contra toda a esperança, em esperança temos crido (Romanos 4:18), pois isso é o que traz à memória o caráter do nosso Deus e o que Ele ainda pode fazer, afinal, nada foge do seu controle. Embora, esse vírus ainda tenha grande destaque nos noticiários, cientistas ainda estudem a doença e as vacinas estejam em desenvolvimento, hoje, uma certeza nós temos: a Boa Notícia não se calou. A fome, a pandemia, as tragédias, não impedem os planos e propósitos que estão arquitetados para a humanidade desde a fundação do mundo. Ele é a Boa Notícia e nos disse em Sua Palavra que haveriam ansiedades, angústias – e ELE sabia disso -, mas ainda assim a confiança em dias melhores descansa na confiança em um Deus soberano sobre todas as coisas. Ele é o Senhor da História.

“E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus. E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.” Apocalipse 21:3-4

- Cassandra Ribas