SÉRIE: O LEGADO DAS MULHERES

Rute, Débora e Ester

1. RUTE, A MOABITA

Elimeleque, sua mulher Noemi e seus filhos viviam em Belém, até que uma grande fome os fez mudar-se para Moabe. Lá, seus filhos se casaram com mulheres moabitas, uma delas chamada Rute, a personagem que vamos falar hoje.

Após alguns anos, Elimeleque e seus filhos morreram, deixando suas mulheres viúvas e sem descendentes. Nessa mesma época, Noemi foi informada que a fome havia passado em Belém, então ela poderia voltar pois havia pão novamente na “Casa do Pão” (significado de Belém em hebraico).

Rute decide ir com sua sogra, largando sua cidade e seu povo. Ela não queria permanecer na amargura e na tristeza após perder seu marido, mas sim desejava seguir em frente, se mantendo fiel à sua sogra. Ela decidiu seguir Noemi e o Deus de Noemi. Ela não sabia como seria sua vida em Belém, o que a esperaria lá, mas ela creu no Deus que conhecia só de ouvir falar, estando disposta a servi-lo em uma terra desconhecida. (Rute 1:16)

Rute era uma mulher virtuosa, como a mulher descrita em Provérbios 31, era leal, disposta a servir e permanecer onde Deus havia colocado-a. Ela não se deteve nas tristezas e frustrações que havia passado, mas manteve seus olhos firmes na esperança que Deus mudaria a sua sorte.

Em meio a muitos acontecimentos que poderiam ser chamados de coincidências, Rute encontra um parente próximo da família que usa de misericórdia e a resgata, casando com ela e dando continuidade a linhagem da família. Um relacionamento puro, de forma correta à luz da lei de Deus e que mudou toda a história daquelas viúvas. Um relacionamento que ilustra o sacrifício de amor de Cristo por todos, judeus ou gentios, por todos que crerem em seu nome.

Com Rute aprendemos que Deus honra nossas decisões quando escolhemos por Ele, apesar das circunstâncias desafiadoras e do que nos custe. Deus transformou uma viúva moabita em uma grande mulher, que gerou o rei segundo o coração de Deus (Rute 4:18-22) e que entrou para a genealogia do Filho de Deus (Mateus 1:5). O Senhor fez todas as coisas cooperarem na vida dela para a direção que tinha predestinado. Ele transformou uma história de tristeza e perda em uma história que revela sua bondade, graça e misericórdia.

Que assim como Rute, venhamos a permanecer fiéis a Deus, venhamos a confiar na vontade dEle, a descansar sabendo que Ele é fiel para cumprir o que prometeu, a crer que Ele honra nossas decisões e mudará a nossa história para que vivamos o que Ele preparou!

- Duda Martins

2. DÉBORA, JUIZA E PROFETIZA

A história de Débora é narrada em Juízes 4,1 – 5.31, o nome Débora, significa “abelha” (hebr., lit.) foi descrita como uma “abelha em tempos de paz e uma vespa em tempos de guerra”. Vivia-se um tempo sombrio e triste da história do povo de Israel quando “voltaram a praticar o que era errado aos olhos do Senhor”. Neste tempo, Deus levanta Débora como profetiza e líder militar para libertar o povo das mãos de um governo opressor.

O povo havia escolhido novos deuses e sua escolha de independência levou-os a viver como bem lhes parecia melhor (Jz 17.6; 21.25) como por certo, isso não acabaria bem a eles como povo e nação. Atenta a miséria espiritual do povo, aconselhava-os sobre seus problemas e questões debaixo de uma palmeira, posteriormente chamada de “Palmeira de Débora”. Cumpria ali o seu chamado, exercendo sua liderança como porta-voz de boas notícias e ajudando na reestruturação do sistema judicial e do exército – ambos corrompidos.

Débora recebeu uma palavra do Senhor, de que chegara o tempo em o povo deveria ser liberto do governo opressor da época, imediatamente, convoca Baraque – um líder militar-, conduzindo-o à guerra para executar o plano de Deus. Diante do armamento poderoso do povo inimigo, mais uma vez Deus frustra os planos e o que eles chamavam de vitória, na verdade, era o que conduziria eles a derrota para o povo de Israel. Outra vez, Deus mostra compaixão para seu povo através da obediência de uma pessoa que atenta a voz do Senhor, ouviu e obedeceu.

Deus usou uma mulher para ir ao conselho do Senhor e conduzi-los a restauração como nação e povo de Israel. A história de Débora, é outro exemplo que vai de encontro a todas as tendências modernas que citam a bíblia como livro que oprime e não da voz as mulheres. Débora e Ester, dois testemunhos que testificam a veracidade do texto bíblico, onde Deus levanta pessoas improváveis para se tornarem resposta a uma necessidade. Aprenda com essas palavras, a lição valiosa de ser uma pessoa obediente a vontade d’Ele e seja um instrumento da manifestação do Reino de Deus no lugar onde você está e na função a qual desempenha.

- Cassandra Ribas

3. ESTER, A RAINHA JUDIA

CONTEXTO HISTÓRICO

Hadassa era uma jovem judia, que após perder seus pais, fora adotada por seu tio Mardoqueu, no período do exílio na Pérsia. Seu nome no hebraico significa “aquela que protege” ou “mulher de governo”. Ela foi convocada junto com outras mulheres do reino para uma seleção de uma nova rainha, sem revelar o povo que pertencia ao conselho de seu tio, onde impressionou e cativou a todos por sua beleza, sendo escolhida rainha. Seu nome, então, foi trocado para Ester (“estrela”), porém o lugar e a posição que estava não mudou quem ela era, permaneceu sendo uma mulher de caráter e protetora. (Ester 2:17)

Um dia, o general do rei e segundo em comando no reino, Hamã, conspirou contra Mardoqueu e todo povo judeu, proclamando um decreto que exterminassem o povo em um dia determinado, o qual seria aproximadamente um ano depois. O decreto foi apoiado pelo rei, após o suborno de Hamã, selado com seu anel, o que significava que era um decreto irrevogável e obrigatório e enviado a todas as províncias do grande reino. (Ester 3:5-6)

O povo judeu se lamentou, jejuou e clamou a Deus por uma intervenção divina e é aí que a posição de Ester se mostra de grande valia para o povo, pois ela poderia intervir. Mas como ela pediria ao rei que usasse de misericórdia com os judeus sem revelar que ela era judia? Corria o risco de perder o cargo ou até ser morta junto com os outros se acendesse a ira do rei. Mesmo com medo, escolheu se responsabilizar, jejuou e confiou que poderia ser usada para libertar o povo da execução. Ela agiu de forma sábia e prudente diante do rei, esperando a oportunidade certa para pedir ajuda. (Ester 4:15-16)

Enquanto Ester fazia o natural, Deus operava no sobrenatural, ouvindo o clamor do povo e fazendo todas as coisas cooperarem para o bem daqueles que o amavam. Mesmo sem ter Seu nome citado nenhuma vez, podemos ver a mão do Senhor por trás de todos os acontecimentos e como o povo confiava que Ele cumpriria suas promessas e os livraria da maldição.

O rei ouviu o pedido de Ester, condenou Hamã e pôs Mardoqueu no seu lugar de honra, sendo o segundo do reino. O decreto não pode ser revogado, mas foi emitido outro decreto onde dizia que os judeus poderiam se defender e ir à luta no dia determinado. Dessa forma, uma jovem judia foi usada para alcançar o favor de um rei e livrar toda uma nação da morte. (Ester 8:7-8)

APRENDIZADO

Na história bíblica dessa grande mulher, podemos ver que mesmo em lugares onde não habita a presença do Senhor (nesse caso um palácio de um rei estrangeiro), existe o propósito dEle, independente das circunstâncias e das pessoas. Ele colocou Ester em um lugar específico para que ela pudesse intervir nos acontecimentos, fazendo a vontade dEle e trazendo glória para o Seu nome através dos atos de obediência dela, assim como faz em nossos dias e em nossas vidas.

Deus conhecia o coração de Hadassa, a humildade, a obediência e a sabedoria que seu tio a tinha ensinado a ter. Ela fora escolhida pelos homens por causa de sua beleza, mas o que Deus via nela era um coração obediente e disponível para servir seu povo. Não foi egoísta, mas sim responsável pelo povo pois entendeu que sua posição de poder era para ajudar, servir e proteger o seu povo, o povo de Deus. Foi um exemplo a ser seguido de uma mulher corajosa, sábia, forte e obediente, que não cedeu diante das circunstâncias mas teve fé que o Senhor tinha colocado-a como rainha exatamente para aquele tempo.

Deus tem chamado mulheres para influenciar gerações e nações, tem te chamado para mudar realidades. creia que Ele irá te capacitar para toda obra que lhe fora designada, basta ter quebrantamento, obediência e estar disponível a ouvir a voz que te chama, a voz dEle. Seja uma mulher como Hadassa, que mesmo se tornando a rainha Ester, permaneceu a mesma e salvou uma grande quantidade de vidas. Seja uma cooperadora de Deus.

“Mas quem sabe? Talvez você tenha sido feita rainha justamente para ajudar numa situação como esta!” – Ester 4:14

- Duda Martins