SÉRIE: PUROS DE CORAÇÃO

Santificação

1. SANTIFICAÇÃO

Quando entendemos o valor do sangue que nos cobre, é imensa a vontade de estarmos na presença e obedecermos àquele que o derramou por nós. - Maria Duda

“Teu Reino vem se minha postura mudar; Teu Reino vem se o lugar secreto eu frequentar” – Postura do Reino, Morada

Quando o Reino chega, nossa postura precisa mudar e isso acontece através da santificação, que significa estar separado com um propósito. Ela é uma busca diária, que não ocorre através de nossas obras, pois não somos santificados e purificados pelas nossas mãos, mas sim através do sangue de Cristo e da sua palavra, quando permanecemos nEle, obedecemos sua Palavra e nos submetemos ao Espírito Santo.

“Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado” – João 15:3

Santificação ocorre no secreto com Deus, no lugar onde apenas Ele nos vê, onde plantamos as sementes de mudanças que geram os frutos do Espírito. Ela não ocorre apenas na área das impurezas, mas sim em todo nosso comportamento, pois em todas as áreas devemos ser santos e não deixarmos que a ira, a inveja, a amargura, o rancor, o orgulho, o ciúmes e outras obras da carne nos dominem. O Espírito Santo opera a santificação nessas áreas que não são expostas o tempo todo, naquelas em que não vemos tanta importância, mas que necessitam ser tratadas.

Para sermos santos, devemos praticar o primeiro fundamento da fé em nossas vidas diariamente: o arrependimento. Quando nossa mente muda, nossa personalidade muda, e consequentemente nossas atitudes também mudam. É essa mudança genuína que deve ocorrer no processo da santificação no secreto, deixando de lado a nossa independência para nos tornarmos dependentes de Deus. Quanto mais nos submetermos ao Espírito Santo e reconhecermos o sangue de Jesus, mais santos e limpos seremos.

“Foi por isso que Jesus sofreu e morreu fora das portas da cidade, para santificar o povo por intermédio do seu próprio sangue.” – Hebreus 13:12

- Duda Martins

2. A BEM-AVENTURANÇA DA PUREZA

Bem-aventurados os puros de coração, pois verão a Deus.
Mateus 5:8

No Sermão do Monte, Jesus inclui entre as bem-aventuranças, a bem-aventurança em ser puro de coração e revela a final recompensa àqueles que a guardarem: ver a Deus. O que as Escrituras nos ensinam sobre a pureza e que relação exerce diretamente com o coração? O que de fato agrada a Deus na pureza a ponto de fazer-se visto por aqueles que dispõe desse coração? A etimologia da palavra pureza, vem do Latim Puritas, de Purus, ‘Puro’, que tem origem no Grego Pyr, ‘fogo’, ou seja, ‘limpo pelo fogo’. Assim como o ourives no processo que refina o metal, usa o fogo para queimar as impurezas, o fogo da santidade é testado para eliminar as impurezas do nosso coração.

“Essas provações são para mostrar que a fé que vocês têm é verdadeira. Pois até o ouro, que pode ser destruído, é provado pelo fogo. Da mesma maneira, a fé que vocês têm, que vale muito mais do que o ouro, precisa ser provada para que continue firme. E assim vocês receberão aprovação, glória e honra, no dia em que Jesus Cristo for revelado”
1Pedro 1:7

Um comentário do Pastor Hernandes Dias Lopes sobre a palavra pureza, exemplifica com maior exatidão o sentido original aplicado no contexto do versículo. “A palavra grega usada aqui (kázaros) tem vários significados: 1) Era usada para designar a roupa suja que foi lavada; 2) Era usada para designar o trigo que tinha sido separado da sua palha. Com o mesmo significado era usado para um exército do qual se tinha eliminado os soldados descontentes ou medrosos; 3) Era usada para descrever o vinho ou leite que não havia sido adulterado mediante adição de água; algo sem mescla; 4) Era usado para o ouro puro sem escória”.

Todo processo de pureza, envolve a retirada daquilo que “adultera” a essência principal do objetivo para o qual algo foi criado. O processo da limpeza do nosso coração quanto as impurezas deste mundo, ocorre de forma muito semelhante ao de purificação do ouro. Diz-se que certa vez perguntaram ao ourives: “Como e quando você sabe que a prata é pura?” E ele respondeu: “Quando vejo meu reflexo nela”. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus e toda a vez que um Deus puro olha para os seus filhos, deseja encontrar em seus corações o reflexo da Sua santidade.

“Todo aquele que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro.” I João 3:3

Guardar o corpo, a mente e o coração de toda e qualquer imundícia do mundo, nos faz enxergar como uma recompensa à longo prazo, o ver ao Senhor. A recompensa entregue aos puros de coração, antes de tudo deve ser vista como a certeza de que o zelo pela pureza, me levará a um novo entendimento de quem Deus é. Aqueles que desejam vê-lo desejarão parecer com Ele em sua essência de caráter, pureza e integridade de Palavras e atitudes. Deus se agrada quando uma geração caminha em busca constante à pureza de mentalidade e coração, a fim de parecer-se com Ele e transmitir o que está no seu coração.

“E farei passar esta terceira parte pelo fogo, e a purificarei, como se purifica a prata, e a provarei, como se prova o ouro. Ela invocará o meu nome, e eu a ouvirei; direi: É meu povo; e ela dirá: O Senhor é o meu Deus.”
Zacarías 13:9

- Cassandra Ribas

3. O SANGUE

Certa noite, Deus usou a vó Ercy para me ensinar uma grande lição através de uma frase que ela disse; uma das mais valiosas que eu já ouvi: “Duas coisas são fundamentais em nossas vidas: pureza e intimidade com Deus“. Também aprendi com Deus que o inimigo ataca todas as pessoas nessa área, independente da idade, gênero ou contexto. É uma guerra que sempre teremos que guerrear, pois a pureza é necessária em nossas vidas.

Davi, o homem segundo o coração de Deus, teve que lidar com as impurezas, já que a cobiça o levou a querer uma mulher que já era de outro homem. Ele cedeu às impurezas e teve que lidar com as consequências do pecado. Porém, ele pediu que Deus restituísse a pureza em sua vida: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro; renova dentro de mim um espírito inabalável” – Salmos 51:10. Deus ouviu a oração de Davi e ouve as nossas.

O motivo de sermos tão atacados nessa área está no versículo: “Bem aventurados os puros de coração, pois verão a Deus” – Mateus 5:8. O inimigo não quer que tenhamos intimidade com o Pai.

O que acalma meu coração é saber que ninguém se faz puro por obras, não é pelo nosso braço que a pureza passa a existir nas nossas vidas. Nós nos tornamos puros de coração quando somos lavados no sangue de Jesus e ao nos expormos à sua palavra, quando permanecemos nEle, sendo obedientes e nos submetemos ao Espírito Santo.

Nós já somos salvos pela graça de Deus, e o Sangue nos purifica; apaga nossos pecados e nos liberta das impurezas. Salvação em grego é “soteria” e significa cura, preservação, pureza de mente e libertação. Cristo levou sobre Si os nossos pecados, nos salvou da morte e derramou seu sangue para nos purificar, nos fazendo alvos como a neve.

Só seremos puros quando reconhecermos o valor do sangue que nos cobre, e assim, veremos a Deus.

- Duda Martins

4. RESTAURANDO A COMUNHÃO DO JARDIM

“O Senhor viu que a perversidade do homem tinha aumentado na terra e que toda a inclinação dos pensamentos do seu coração era sempre e somente para o mal. Então o Senhor arrependeu-se de ter feito o homem sobre a terra, e isso cortou-lhe o coração.”
‭‭ Gênesis‬ ‭6:5-6‬ ‭NVI‬‬‬‬‬‬‬‬‬‬

Nos dias de Noé, a iniquidade cobria a terra. Homens e mulheres escravos de seus próprios desejos e ambições entregaram-se a uma vida perversa e vazia. Encontraram no seu ideal de liberdade a própria prisão, acorrentados em prazeres a curto prazo, sujaram as mãos com o lodo do pecado e corromperam os seus corações. A que ponto a maldade do homem machucaria o coração de Deus e o faria arrepender-se de tê-lo criado? Em Gênesis, após criar o homem e todas as outras coisas, as Escrituras dizem “E viu Deus que era bom”, o que exatamente faria Deus mudar de ideia sobre sua criação? Aquilo que venho de Deus era bom em sua essência, mas a maldade do ser humano corrompeu a pureza que Deus estabelecera sobre todas as coisas.

A independência do homem gerou o pecado, e isso foi a causa de Deus se entristecer com o homem: Deus odeia o pecado. O Deus Santo, odeia o pecado porque isso destrói a essência da sua criação e fere aqueles a quem Ele ama. O Pecado escraviza nossa mente e nos torna dependentes dele, uma vez entregues às paixões dificilmente experimentaremos sensação de liberdade envolvidos em uma vida de iniquidade. Se existe algo pelo qual Satanás trabalha na mente e no coração de todos é para que se abra uma brecha para o pecado e sem percebermos ele irá se alojar no mais íntimo da nossa alma, e se não nos mantermos vigilantes, ele será facilmente domesticado.

“O pecado não somente separa; ele escraviza. Além de nos afastar de Deus, ele também nos mantém cativos. Mais do que uma atitude ou hábito visível, o pecado revela uma profunda e arraigada corrupção em nosso interior. ” John Stott

Pode-se dizer que a raiz de toda a iniquidade do homem foi sua condição de coração ao decidir viver independente da vontade de Deus. Ao comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, estaria o homem dizendo para Deus que as questões do bem e do mal, do certo e do errado, decidiria independente da vontade do seu Criador. Ao trazer para si a decisão sobre as próprias escolhas, já não lhe importava a ordem inicial dada por Deus, uma vez que as intenções do seu próprio coração, ditariam as regras de como lhe parecesse mais confortável e prazerosa a vida. A queda do homem no Jardim do Éden, dá início ao decurso de histórias de homens e mulheres de caráter orgulhoso e egos caídos.

O deus deste século nos apresenta com exatidão a razão pela qual o mundo está caminhando para uma completa desordem moral: a egolatria – idolatria do próprio eu. A Palavra de Deus nos alerta que viveríamos em dias trabalhosos em que veríamos “homens amantes de si mesmos” (ll Timóteo 3:2). Acompanhamos desde o Jardim do Éden até os dias de hoje, a humanidade refém de seus próprios desejos, fazendo escolhas pela sua liberdade, mas no fim acorrentados pelas mazelas do pecado. Satanás investe nesta geração para que se tornem amantes de si mesmos, ególatras e ambiciosos correndo atrás de seus prazeres, se afastarão da comunhão com o Criador e desprezarão o seu próximo.

Um súbito vislumbre de um Deus santo, e toda a autoestima de Isaías foi abalada. Enquanto podia se comparar com outros mortais, ele era capaz de manter uma opinião elevada sobre seu próprio caráter. No instante que ele se mediu diante do padrão último, ele foi destruído – moralmente e espiritualmente aniquilado. R.C. Sproul

Em meio a decadência moral daquele tempo, levanta-se Noé, um homem que desejava de todo seu coração ser amigo de Deus. Não imitou a conduta da época, nem mesmo esqueceu do que seus antepassados haviam lhe ensinado sobre o caráter de Deus e aquilo que agradava o seu coração. Pareceu bem a Noé, andar na companhia de seu Deus e conhecer aquilo que estava no seu coração, a comunhão perdida no Jardim, fora retornada em sua história. Ao caminhar com Deus e desejar desenvolver legítima amizade e comunhão, Noé resgata o sentido mais puro da comunhão: aquele que anda com Ele, se parece com Ele.

Quanto mais Noé andasse com Deus menos pareceria com o mundo, a constância da caminhada com seu amigo, lhe faria perder encantos pelo proceder daquela época. Durante a história deste grande homem, podemos enxergar o quanto lhe custou ouvir e caminhar debaixo da direção de Deus, muitas vezes chamado de estranho porque não seguia o molde que o mundo estabeleceu. No final da história, o estranho e inadequado, fora poupado do juízo de Deus junto de sua família, dando início ao recomeço de Deus para toda a história da humanidade. A história de Noé nos ensina a não nos sentirmos desajustados se estivermos perfeitamente alinhados com a vontade de Deus.

Tenho grande esperança que Deus em sua misericórdia fará outra vez em nossa geração, como fez com Noé, chamará para si os seus amigos, mas desta vez não serão apenas alguns homens, mas sim uma geração inteira. Os que caminharão com Ele, talvez sentiram a sensação de estarem desajustados ao reino deste mundo, mas não lhes fará falta, uma vez que estarão satisfeitos em plena comunhão com Deus. Ele levantará uma geração de crianças, jovens, casais e idosos que andam à luz da Sua pureza e santidade, de mãos limpas e corações puros. A Voz que clama, chama seus amigos, aqueles que contrariando a opinião e os costumes da terra decidirão andar na companhia do seu Deus proclamando a todos o Reino vindouro.

- Cassandra Ribas

5. A DECISÃO DE SANTIFICAÇÃO

“O temor do Senhor aperfeiçoa a santidade em nossas vidas e através da santidade vemos a Deus. […] Ele é uma limpeza e purificação que dura o sempre, é a manifestação do Espírito Santo e o deleite de Jesus.” – John Bevere

O temor do Senhor é essencial em nossas vidas, ele é muito mais que reverencia e respeito, e a definição que eu mais gosto dessa palavra é “disposição inteira que produz terror diante do simples pensamento de ofender a Deus”. É o temor que trabalha a santidade em nós pois “o temor do Senhor é puro e dura para sempre” (Salmos 19:9).

Durante o mês de Abril, escrevemos e lemos sobre pureza e santidade, agora terminamos dizendo que tudo é uma questão de decisão gerada pelo temor ao Senhor, ou seja, precisamos decidir sermos santificados por Deus através do desejo de não ofendê-lo, mas sim de agradá-lo. Essas decisões de santificação são vistas em inúmeras histórias da Bíblia e também em nossos dias, mas destacamos a história de Raabe – uma prostituta que pela fé e por uma decisão foi restaurada completamente, entrando para a genealogia do Messias. Decida ser santificada(o) por Deus, decida ter o temor do Senhor, decida ser moldada(o) pelo Senhor, decida ter uma vida de intimidade com o Espírito Santo. Não é tarde para recomeçar!

- Duda Martins